A Ada, de A Guerra que Salvou Minha Vida nunca saiu de minha cabeça. E em abril recebi um email da DarkSide® Books que me relembrou a sensação de ler os dois livros de Kimberly Bribaker Bradley (autora de “A Guerra que Salvou Minha Vida” e “A Guerra que me Ensinou a Viver“) através de um texto escrito pela autora contando como seria todo o resto da história após o segundo livro e de como a Ada estaria hoje. O texto original está no site da Kimberly, mas não pude deixar de pensar que ele merecia ser compartilhado. Para aqueles que leram o livro, é um prato cheio. <3

Autora Kimberly Brubaker Bradley (Fonte: Divulgação Darkside Books)

Confiram abaixo:

Li uma resenha sobre meu romance, A Guerra Que Salvou Minha Vida, outro dia no Goodreads que me deixou com lágrimas nos olhos. Tentei encontrá-la hoje, mas não consegui achar… Tenho certeza de que conseguiria se procurasse de verdade, mas achei melhor não. Apenas acredite em mim, a resenha dizia algo do tipo… “Ada está com 86 hoje. Ela anda. Ela tem andado por muito tempo, desde que Susan conseguiu consertar seu pé no início da guerra…” e ela prossegue a resenha prevendo o que vai acontecer com Ada, Jamie e Susan.

Eu amei, porque, ao fazer a matemática eu mesma, percebi que a Ada está mesmo com 86 hoje. Ela tem a mesma idade que o senhorzinho gregário com quem falei no museu em Rye, cujo rosto ficou pálido e sério quando minha filha lhe disse que eu estava escrevendo um livro sobre os refugiados da Segunda Guerra Mundial. “Eu fui um dos refugiados”, ele disse.

“Por quanto tempo?”, perguntei.

“Seis anos”, ele respondeu, depois se virou e foi embora.

Ada está com 86. Ela anda. Ela tem andado por muito tempo, desde que Susan conseguiu consertar sua perna no início da guerra.

O que ela se torna mesmo é professora. Você já pode ver as sementes disso na continuação que estou escrevendo. Sempre lembrando de como era não saber de nada, Ada é incrivelmente paciente e competente como professora. Ela fica encantada – absolutamente encantada – com o amor de seus alunos por ela e, mais tarde, de seu marido e filhos.

Jamie, que vira quase um filho para os Ellstons, assim como Susan (você vai conhecer os Ellstons na continuação), se torna um fazendeiro depois de adulto. Você também pode ver as sementes dessa profissão no próximo livro. Depois da guerra, Susan torna-se professora em um internato para meninas. Sei que Ada e Jamie lhe dão netos, dos quais cuida com muito prazer. Quando ela morre, é enterrada não ao lado de Becky, mas ao lado do túmulo de outra mulher que veio a ser sua companheira em seus últimos anos. Sei que Butter morre de velhice, e é enterrado na fazendo dos Thorton. Sei que Ada continua a cavalgar, que depois de virar esposa e mãe, ela compra um pequeno cavalinho e o mantém no campo atrás de sua casa, cavalga na caçada regional e ensina suas filhas a cavalgarem. Sei que depois da guerra os Thortons não continuaram vivendo em seu casarão, tão vazio, exceto pelas memórias. Mas não sei exatamente o que eles fazem com ele. Lord e Lady Thorton mudam-se para Londres, para um pequeno e elegante apartamento, mais fácil para Lady Thorton administrar. Maggie não termina a escola e nem vai para a universidade. Ela arruma um emprego como secretária por um tempo, só para ter o que fazer, e dá umas escapadas com Ada pelo Continente, mas casa-se muito jovem e gosta de ser uma dona de casa tradicional.

Stephen White morre bem nos últimos dias da guerra. O luto de Ada é tremendo.

Ruth – uma nova personagem na continuação – se corresponde frequentemente com Ada ao longo e depois da guerra, o que é estranho no início, mas eventualmente, conforme a faixa etária das duas muda, torna-se uma fonte real de prazer para ambas.

Na década de 90, depois da queda do Muro de Berlim, Ruth e Ada viajam para Dresden. Elas visitam as ruínas da Catedral bombardeada, congeladas no tempo desde a guerra (suas ruínas permanecem intocadas até que ela seja reconstruída com as mesmas pedras), e o local da velha sinagoga de Dresden. Elas buscam em vão pela antiga casa de Ruth. Ruth morre antes que a catedral e a sinagoga sejam reconstruídas, mas Ada volta lá para vê-las, junto de sua filha e neto.

Tem mais um novo personagem que eu poderia incluir aqui, mas não vou, porque não quero tirar o impacto do final do novo livro. E tem um personagem que não estou mencionando. Quando falei com um adorável grupo de alunos do quinto ano no meu book tour – que inclusive comemoraram quando descobriram que eu estava escrevendo uma continuação -, um menino me perguntou depois da palestra: “O que acontece com Mam na continuação?”

Eu disse, “Não vou te contar isso.”

“Assim, sabe”, respondeu ele, muito sincero, “um montão de bombas caíram em Londres durante a guerra.”

Ada está com 86. Viúva agora, ela vai levantar sozinha esta manhã na sua pequena casa. Ela vai fazer uma xícara de chá, soltar os cachorros, pôr um cardigan para afastar o frio. Ela vai olhar pela janela da cozinha, para além do cercado, para os cavalos parados lá, para o velho pangaré, que é o último cavalo do seu coração, e para o pônei, um tesouro, que ela encontrou para que seus netos e os netos de Jamie possam cavalgar. Eu deveria ligar para Jamie, ela pensa. É aniversário dele esse sábado. Nós deveríamos almoçar juntos, só nós dois.

E eles almoçam.

Impossível não se emocionar… Afinal, a Ada mora em nossos corações assim como todos os outros personagens.

Quer comprar os livros e ajudar o site? Acesse abaixo:

 

Fonte: DarkSide Books