O Nome da Morte estreia hoje nos cinemas brasileiros e traz uma história, no mínimo, inusitada. Baseada em fatos reais e na obra do jornalista e escritor Klester Cavalcanti, a obra mostra a vida de Júlio Santana. Ele foi um pistoleiro/assassino profissional. Ao que se sabe, Júlio matou 492 pessoas e nunca foi punido. Aliás, foi preso apenas uma vez, mas solto no dia seguinte.

O filme mostra sua vida como pai de família e também como um filho de quem os pais têm orgulho. Entretanto, quando vai morar com seu tio começa a matar para ganhar dinheiro. Ele acaba levando isso como profissão durante muito tempo. A humanização do personagem é um ponto forte do filme, nele podemos enxergar o homem com uma vida “comum” que ganha dinheiro para matar e tenta não se envolver. De longe, Júlio não é um psicopata (pois não sente prazer com aquilo) tampouco pode-se dizer que tem peso na consciência.

cartaz do filme o nome da morte

Diversas questões são levantadas durante o longa. Por exemplo, a falta de oportunidades de Júlio que o levaram para essa vida. Não, Júlio não é uma vítima. Entretanto levantando os problemas que temos no sistema pode-se pensar em como algumas pessoas realmente se veem sem saída. Além disso, a questão do respeito à vida, da fácil adaptação do ser humano às mais diversas realidades e a desconstrução de conceitos morais.

O elenco conta com Marco Pigossi no papel de Júlio e Fabiula Nascimento como Maria. O casal demonstra muita sintonia em cena e dá um show de atuação. Pigosse consegue, através do olhar, demonstrar os conflitos de Júlio. Enquanto Fabíula mostra a força de Maria e sua luta interna acerca do trabalho do marido.

cena de o nome da morte

O livro

Klester demorou quase nove anos para terminar a pesquisa e investigação para o livro. Muitos dos nomes citados são reais, autorizados por Júlio, e os casos tiveram apuração do jornalista. O autor falou um pouco sobre a obra e lembrou que essa não é uma realidade distante, pois não acontece somente no sertão. Ela existe também nas grandes capitais.

Uma coisa é certa: se for assistir, é preciso se despir dos conceitos morais para se colocar no lugar dos personagens.